A uns dias atrás, ganhei a parte eletrônica de um rádio antigo, da marca imperador. Originalmente, ele era alimentado por pilhas e valvulado, mas as válvulas foram substituídas por transistores de germânio. Não funciona, e estava vendo se conseguia aproveitar algo. Os transistores já perderam a numeração, mas verifiquei que são pnp, só não medi a fuga.
Ele tem dois transformadores pequenos, já me empolguei pensando que poderiam ser úteis para a montagem de um valvulado de baixa potência. Retirei e testei com multímetro. Um deles aparentemente está queimado, está com resistência de 1r em um dos lados. Liguei a um transformador de 12V que uso para testes. Mesmo tendo tensão de saída de 13,2V, a tensão de entrada caiu para cerca de 3V e o transformador de 12V esquentou, então acredito que isso confirma que um dos enrolamentos desse transformadorzinho está realmente em curto.
O outro transformador está funcionando, mas apresenta razão de 1:1, com um dos lados tendo center tap. Algum uso para ele? Sei que o Jawary, do Tim Escobedo, usa um transformador 1:1 com center tap, mas fora isso não conheço nenhuma aplicação.
Lembrei do amplificador Deacy (do Deacon do Queen). Ele também aproveitou a etapa de amplificador de um rádio velho.
Marcão, podes tentar fazer um direct box passivo, no antigo site da audio list o Edu ensinava como, usando esses transformadores e transformadores de placas de fax modem. Na net tem bastante material sobre isso.
Xformer, o Deacy usa dois transformadores, e a impedância deles (segundo os dados que circulam por aí) é totalmente diferente das do transformador que tenho. Aliás, a Schatz faz réplica deles, caso alguém se interesse.
Raphael, um direct box não teria serventia pra mim, mas posso dar para algum amigo que use. Melhor que deixar o transformador parado ou descartá-lo. Já vi material sobre usar transformador de modem, vou dar uma pesquisada em casa.
Duas considerações:
a) Esse rádio nunca foi valvulado, pois a conversão para transistores não seria possível sem trocar praticamente "tudo". O que se fez antigamente foi aproveitar os componentes e o gabinete de rádio valvulado, montando nele um rádio transistorizado. Eu desmontei vários rádios desse tipo pelos idos de 1975 a 1979. É importante lembrar que os fabricantes de rádio a válvula não "sabiam" como era o formato de um rádio a transistor, assim, eles usaram o material que tinham à mão e as técnicas de montagem valvulada para produzir os primeiros rádios transistorizados. O mesmo aconteceu com os primeiros televisores ( de pré-guerra ); eles parecem...rádios !
b) Um transformador é de saída e o outro, um driver. O de saída provavelmente é o que, no teste, aparenta estar em curto.
c) Citou "Schatz", ganhou "obrigado" !
É, eu fiquei realmente pensando sobre essa "conversão", pois como você comentou muita coisa precisaria ser trocada. O gabinete com certeza é de valvulado, e os transistores estavam soldados nos soquetes, encaixados por fora como se fossem válvulas. Imaginei que em algum momento alguém havia adaptado os transistores para substituir os triodos das válvulas, não considerei a possibilidade de ter sido "projetado" dessa forma.
Segundo os projetos de rádio que vi, é justamente isso: um driver e um de saída. Pela posição no chassi e também dos fios dos transformadores (o driver estava com todos os fios entrando no chassi, enquanto o outro possuía uma barra com dois terminais ligados a um enrolamento de dois fios), presumi mesmo que o que aparenta estar em curto é o de saída. Não sei se ele realmente está em curto ou se existe um transformador com enrolamento de resistência tão baixa assim mas, a partir das tensões medidas, mesmo se ele estiver bom, a impedância refletida no primário ao usar um falante de 8r é de somente 150r. Muito baixa.
E, se tudo der certo, em breve vou precisar fazer uma encomenda na Schatz de novo ;). Será o quarto amplificador com transformador da Schatz.
Olá.
Dificilmente o transformador estará em curto. Dependendo dos transistores usados na saída, a impedância de 150 ohms é essa mesmo.
De fato, fiz uma busca por circuitos de rádio antigos, e achei transformadores com impedância bem baixa, do tipo 100r/12r (push pull) e 70r/1r (single ended). O que achei completamente diferente foi o transformador de driver. Enquanto o que estava nesse rádio é aproximadamente 1:1 (medi diversas vezes), os esquemas que encontrei por aí usam algo do tipo 10K/2K, ou 20K/10K.
De qualquer forma, a situação ficou interessante. Sabendo que o transformador de saída está funcionando, vou dar uma pesquisada e ver se posso aproveitá-los em um amplificadorzinho transistorizado.
Provavelmente esse amplificador tem esta topologia aqui, que é a mesma do Deacy:
(https://i.ibb.co/3kV7JZF/deacy-handbook.jpg)
Aí, só precisa pegar dois transistores bem descasados pra colocar na saída e você vai tocar como Brian May. :D
Pelo que pesquisei, os circuitos de rádio com acoplamento por transformador e saída push pull são basicamente todos assim. Inicialmente pensei que a dificuldade seria achar os transistores adequados, mas pensando melhor, acho que posso usar praticamente qualquer coisa e não me preocupar muito com o casamento de transistores e impedância no transformador de saída, já que não se trata de um amplificador sério mas sim uma "gambiarra" de baixa fidelidade (Brian May discordaria de mim :D). O que preciso confirmar é se o transformador de driver que tenho funcionará, pois nesse a impedância é realmente totalmente diferente de todos os circuitos que eu vi.
Continuarei com a pesquisa por informações úteis, enquanto finalizo alguns projetos que já estão em andamento (e eu estou enrolando).
Amplificadores automotivos mais em conta (os chamados "boosters") são feitos dessa forma também, pois eles não precisam de conversores DC-DC para aumentar o nível de saída, o transformador faz esse papel. Mas como os transformadores são bem ruins, a qualidade sonora é horrível também, mas para tocar determinadas músicas horríveis que o pessoal ouve no carro, tanto faz ... :D
Veja esse artigo do Newton C. Braga:
https://newtoncbraga.com.br/index.php/eletronica/57-artigos-e-projetos/13538-booster-de-audio-art1588
(https://newtoncbraga.com.br/images/stories/artigos2017/art1588_0002.jpg)
R1 e R2 fazem a polarização das bases dos transistores: 12V x 330/(330+4700) = 0,78V e no driver vem o sinal de saída para os alto-falantes do autorádio com uma potência média (insuficiente pra tocar música em volume alto mas suficiente para excitar os transistores).
Newton C. Braga dando uma de Newton C. Braga: o que é aquele transformador de força invertido T1 aumentando a impedância da fonte de sinal para as bases dos transistores ? ? ?
Depois, quando o pessoal monta e não funciona, a culpa é do montador.
A ligação do alto-falante no T2 também está errada.
Por incrível que pareça, a ligação de T2 faz sentido. Ele está sendo usado como auto-transformador, permitindo aplicar o sinal dos dois coletores ao alto-falante.
E a polarização dos transistores é uma piada: com 6 V os transistores estão no corte, em 15 V estarão pegando fogo. E sem qualquer estabilização térmica.
E esse é um projeto publicado pelo maior escritor técnico de Eletrônica do Brasil !
Quote from: A.Sim on 23 de June de 2020, as 21:41:28
E a polarização dos transistores é uma piada: com 6 V os transistores estão no corte, em 15 V estarão pegando fogo. E sem qualquer estabilização térmica.
Em 6V de alimentação, vai haver distorção de crossover. Mas como a tensão nos carros é 12V (e perto dos 15V quando o alternador está funcionando), a tensão pro circuito é essa. Como ele não especificou o T1 (é mais um circuito ilustrativo do que um projeto para montagem), talvez ele considere que a resistência do enrolamento de 220V de T1 seja razoável. No CT pode ter 15V x 330/(5030) = 0,984V (sem considerar as resistências do enrolamento e as junções BE em paralelo com 330 ohms, o que diminuiria a tensão no CT). Menos 0,7V, sobraria 0,284V pra recair em cada metade do enrolamento de 220V. E o resistor de 4700 ohms limita a corrente vindo da fonte de 15V em pouco mais de 3mA.
No fim, como eu escrevi lá em cima, é um circuito ruim, que usa componentes ruins, pra ouvir música horrível.