Handmades</center>
 
*
Bem-vindo, Visitante. Por favor faça o Login ou Registro. 18 de Novembro de 2019, as 23:04:48


Login com nome de usuário, senha e duração da sessão


collapse

* Usuário
 
 
Bem-vindo, Visitante. Por favor faça o Login ou Registro.

* Tá ligado?
  • Dot Visitantes: 24
  • Dot Escondidos: 0
  • Dot Membros: 2
  • Dot Usuários Online:

Entendendo o Trafo de Saída
Autor: Antonio A. A. Maioli

     Um transformador de saída é um dispositivo que se destina a “casar” a impedância da etapa de saída valvulada (milhares de ohms) com a do alto-falante (tipicamente 4 ou 8 ohms).

     Mas como impedância é uma GRANDEZA DINÂMICA, diferentemente da resistência, que é uma grandeza estática, isso significa bem mais do que “casar resistências”.

     IMPEDÂNCIA

     Mas o que é impedância?

     É a resistência oferecida por uma carga à passagem da corrente elétrica (mas que diabo, você dirá, isso é a mesma definição de resistência!). A diferença está em que a CARGA possui uma resistividade que VARIA DINAMICAMENTE, ou seja, por influência dos vários componentes de um circuito, ou por variação mecânica, como no caso dos alto-falantes, a impedância terá diferentes leituras em diferentes condições. Já a resistência será sempre a mesma, sob quaisquer condições!

     Então, por isso é que sempre se fala em IMPEDÂNCIA DE ENTRADA E SAÍDA, e nunca resistência. Então, esqueça a resistência quando estivermos tratando de TRAFOS DE SAÍDA.

     IMPEDÂNCIA REFLETIDA

     OK, ao medir a resistência do primário de um trafo de saída, não espere encontrar nada perto da sua impedância nominal – se a impedância é de 5K5, a resistência não será nem perto disso. O Primário não tem impedância por si mesmo; isso porque a impedância do primário é a IMPEDÂNCIA REFLETIDA PELA CARGA LIGADA NO SECUNDÁRIO (o falante).

     Difícil? Nada! Explico.

     Um trafo de saída tem uma proporção entre as espiras do primário e secundário, que pode ser medida ligando-se uma pequena tensão em um de seus enrolamentos (no secundário é mais fácil) e medindo-se a tensão resultante no outro. Apenas tome cuidado pois mesmo baixa tensão ligada no secundário dá alta tensão no primário!

     Bom, conhecida a tensão ligada no secundário e a impedância nominal a que ele se destina – digamos, 8 ohms – já há condições de calcular a impedância a que se destina o primário.

     A razão de conversão de impedância é o quadrado da proporção entre o primário e o secundário, e também é o quadrado da razão de conversão de tensão – de acordo com esta equação: Zp/Zs = (Np/Ns)2 = (Vp/Vs)2.

     EXEMPLO:

     Se for ligada uma tensão de 1 V no secundário, e você medir 20 V no primário, isso significa que o trafo tem uma proporção de espiras de 20:1 entre o primário e o secundário, que corresponde a uma razão de conversão de impedância de 400:1. Isso significa que se você ligar no secundário uma carga de 8 ohms, a impedânica refletida para o primário será de 3.2K. Se você ligar uma carga de 4 ohms, a impedância refletida será de 1.6K, e assim por diante...

     Sacou? Barbada.

     Outro exemplo:

     Se você tem um trafo projetado para ser 4.3K:8 ohms, e aplicar um sinal de 1 V no secundário de 8 ohms, você terá 23.18 V no primário, o que corresponde a uma taxa de conversão de voltagem de 23.18:1 ou uma taxa de conversão de impedância de 537.5:1, o que significa que uma carga de 8 ohms no secundário será refletida para o primário como 4.3K.

     Como você pode observar, o primário não tem impedância própria, mas apenas reflete a impedância da carga ligada no secundário de volta para o primário.

     POTÊNCIA

     Além da impedância, a outra grandeza principal que interessa no trafo de saída é sua capacidade de dissipação de potência.

     Toda vez que se falar em um dispositivo de carga, como um trafo ou o próprio alto-falante, por favor, não digam que ele TEM “X” watts, ma sim, que ele PODE DISSIPAR ATÉ “X” watts.

     No caso do trafo, duas coisas vão determinar sua capacidade: o tamanho do núcleo e a bitola do fio. O tamanho do núcleo é proporcional ao ponto de corte de baixas freqüências desejado e à potência que se deseja dissipar. Um trafo desenhado para dissipar 50W a 100 Hz é bem menor que um para 50W a 20 Hz (atenção a isso para quem quer fazer amp de baixo!). Outro fator é o volume de fio que vai ter que caber na bobina. Se você aumenta a bitola do fio, para suportar maior corrente, isso significa necessidade de maior espaço para o mesmo número de espiras, e, conseqüentemente, um núcleo maior.

     No Brasil usamos a escala AWG de bitolas de fio, e os fabricantes informam a área da seção quadrada do fio e sua respectiva capacidade máxima de corrente.

     Então, se você for trabalhar num trafo de saída, comece pelo cálculo do primário (aí é q você vai precisar dominar a “mardita” lei de Ohm... Não domina? Perdeu todos os pontos: volte ao começo...): Ele vai ser dimensionado de acordo com a corrente e a tensão que espera-se que circularão pelo primário.

     Se você tem a potência circulante na etapa de saída (que será aplicada no primário do trafo), dada pela corrente x tensão, você já sabe a potência que o seu trafo terá que dissipar.

     Digamos que sua etapa de saída está “empurrando” 5 W no primário (tipo uma EL84 em single-ended), e que a tensão aplicada é de 300V . Isso corresponde a uma corrente de mais ou menos 17 miliampéres – o que é suportado por um fio fino (consulte a tabela AWG...).

     Bom. As válvulas de saída possuem requisitos típicos de impedância de saída, o que te dá o segundo elemento do seu primário. Digamos que ele vai rodar 5W (300 V x cerca de 17 mA) a 4.5 K de impedância (na faixa para uma EL84). Você quer usar uma carga de 8 ohms no secundário. Isso significa que você precisará ter uma taxa de conversão de impedância de 562.5:1, a qual corresponde a uma taxa de conversão de voltagem de cerca de 23.71:1. Ora, isso significa que você terá em média cerca de 12.65 V no secundário. Para isso dar os mesmos 5 W registrados no primário, a corrente será de cerca de 395 mA (consulte a tabela AWG para ver a bitola de fio que comporta isso...). Agora, cara-pálida, você já sabe as bitolas de fio que vai precisar no primário e secundário, e também sabe a proporção de espiras que vai precisar.

     O tamanho do núcleo, você vai, por enquanto, copiar de um trafo conhecido para a aplicação desejada. O número de espiras de um dos dois enrolamentos (mais fácil o secundário), mesma coisa. O outro enrolamento você está apto a calcular...

     Com essas especificações você também pode avaliar a “usabilidade” de um trafo de força que você já tenha, na função de trafo de saída, a la McGyver. Dica: um trafo de força de 220/9 V dá, aproximadamente, a razão de conversão de impedância necessária para um single-ended baseado em EL84, como o AX84. Só que como esse trafo em geral vai ter um núcleo pequeno, dá para prever que o ponto de corte de baixas freqüências do mesmo vai ser acima do necessário para um amp de guitarra. Pra resumir: funcionar funciona, mas não vai ter uma curva de resposta adequada.

     Para dominar a arte do trafo de saída, você precisará saber: Como calcular o tamanho adequado de núcleo, como calcular o ponto de corte de baixas e altas freqüências (o que vai determinar a quantidade adequada de espiras no primário), como calcular a razão de conversão de impedância e como calcular a capacidade de dissipação de potência do trafo. Só vimos essas duas últimas... se você souber as outras duas, também quero aprender.

     BOA SORTE! (você vai precisar).

Powered by MySQL Powered by PHP Powered by SMF 1.1.21 | SMF © 2006-2009, Simple Machines

XHTML 1.0 Válido! CSS Válido! Dilber MC Theme by HarzeM
Página criada em 0.476 segundos com 29 procedimentos.
SimplePortal 2.3.3 © 2008-2010, SimplePortal