Fender Strato feita de papelão

Started by diego.fcs, 04 de December de 2015, as 09:44:44

Previous topic - Next topic

Diego Gin

Guest
Logged
Como deve ser a vibração desse material? As frequências? Parece que ela não retém graves

RuyThonson

**
Freqüente
Posts: 265
Location: Natal-RN
Logged
Já dizia o poeta: Quando não se entende a diferença entre uma guitarra de 500 e uma de 5.000, é melhor economizar 4.500.

RafaS

*
Iniciante
Posts: 161
Location: MetroPOA
Logged
Quote from: Diego Gin on 08 de December de 2015, as 11:54:12
Como deve ser a vibração desse material? As frequências? Parece que ela não retém graves

Isso pra guitarra não faz diferença, só pra violão. Ressonância é um fenômeno acústico aplicável a instrumentos com caixa de ressonância.

O pessoal que fetichiza mogno e torce o nariz pro cedro ficaria surpreso de saber que uma boa parte das Les Paul 1952 eram feitas de cedro - veio a revolução cubana e "o jeito foi usar mogno". Nunca passou pela cabeça deles "ressonância" em instrumento de corpo sólido.
"Dê um peixe e você alimenta ele por um dia. Dê uma guitarra e você diverte ele pro resto da vida."

Diego Gin

Guest
Logged
Quote from: RafaS on 08 de December de 2015, as 13:52:31
Quote from: Diego Gin on 08 de December de 2015, as 11:54:12
Como deve ser a vibração desse material? As frequências? Parece que ela não retém graves

Isso pra guitarra não faz diferença, só pra violão. Ressonância é um fenômeno acústico aplicável a instrumentos com caixa de ressonância.

O pessoal que fetichiza mogno e torce o nariz pro cedro ficaria surpreso de saber que uma boa parte das Les Paul 1952 eram feitas de cedro - veio a revolução cubana e "o jeito foi usar mogno". Nunca passou pela cabeça deles "ressonância" em instrumento de corpo sólido.

Essa lógica não se aplica mais a captadores ativos?

Sendo assim, um basswood ou o mogno asiático com grandes concentrações de metais não dariam diferença?  :-[

Finck

****
Handmaker
Posts: 1,726
Location: São Paulo, SP (Vila Prudente)
Logged
Penso que quando se fala de instrumentos elétricos, a lógica não se aplica de forma nenhuma... Tem instrumentos que simplesmente deveriam "dar errado", no entanto seu timbre nos parece fantástico. E o contrário também ocorre...

São tantas variáveis envolvidas, aliadas à elos externos do sistema (amplificador, cabos, pedais, ambiente), além das questões psicoacústicas (um componente "de marca" tem que ser soar melhor do que um genérico...), que no final das contas vale a máxima "se te parece bom, então é porque está bom"...
Se alguém ficou curioso, meu avatar é o brasão da família Finck. Dizem que os brasões das famílias alemãs estão relacionados com a profissão de seu patriarca. Se isso for verdade, o patriarca Finck deve ter sido bobo da corte...

Lamer

****
Handmaker
Posts: 1,629
Logged
Se a Fender quiser fazer uma parceria eu mando o papelão pra fazer minha guitarra. _

EddieTavares

Guest
Logged
Já ouvi até luthier dizer que o timbre da guitarra vem dos captadores e o resto não tem influência, respeito a opinião, mas, durante anos tenho feito algumas  experiências com corpos, braços, componentes, circuitos diversos... E, não sou Expert mas digo com 100% de certeza que influencia, e muito. No início eu acreditava que o timbre residia no corpo da guitarra, ledo engano, é o conjunto! Entretanto, o braço parece "falar" mais alto na formulação do timbre, marfim vs maple da uma boa diferença, infelizmente todos os braços de mogno que tive acesso estavam colados a um corpo, mas gostaria muito de ter um belo braço de strato em mogno.

Quanto aos corpos, a densidade é o fator que acredito ser mais importante, entretanto o basswood pode ter a mesma densidade do alder mas vai sempre soar mais abafado e mais médio, assim sendo, se um conjunto soa abafado, colocamos um conjunto de captadores mais brilhantes e assim equilibramos a manissoba e vice versa.

Mas voltando ao papelão, cada veio do tronco de uma árvore representa um ano, a parte mais escura do veio se forma no inverno quando a árvore recebe menos água e sol, a parte clara se forma no verão, a parte clara é menos densa que a mais escura, tá, mas o que isso tem à ver? Bom, suspeito que o cardboard simule a ressonância da madeira pois o cardboard também tem veios, de certa forma. A parte sinuosa do papelão tem menor densidade que as partes retas... A ideia é legal, mas acho que aqui na terra do sací, o papelão sairia mais caro que a madeira, e cá entre nós, que guitarra feia!






Finck

****
Handmaker
Posts: 1,726
Location: São Paulo, SP (Vila Prudente)
Logged
Não só o tipo de madeira influencia, mas a forma como é cortada, seu teor de umidade, a idade da árvore, o solo onde ela cresceu...

Por isso que eu disse que a lógica não é aplicável. Dois braços teoricamente idênticos, feitos do mesmo tipo de madeira, quando montados num mesmo corpo com os mesmos captadores e ferragens (quero dizer, para "isolar" o efeito de um único componente) vão apresentar resultados diferentes, porque há variáveis que normalmente não se leva em conta (exemplo: o solo onde a árvore cresceu, que define o teor e o tipo de resíduos minerais na madeira...), e que afetam o tal resultado. Se pobres mortais (como eu) conseguem de fato perceber a diferença, já é outra estória.

Mas ficar pensando nisso é pedir para ficar xarope.

Quanto à guitarra de papelão, finalmente parei para ver o vídeo. Parece-me um exercício de design apenas, igual aquelas roupas ridículas que os grandes estilistas exibem nas passarelas, mas que ninguém em sã consciência teria coragem de usar na rua...

Se alguém ficou curioso, meu avatar é o brasão da família Finck. Dizem que os brasões das famílias alemãs estão relacionados com a profissão de seu patriarca. Se isso for verdade, o patriarca Finck deve ter sido bobo da corte...

EddieTavares

Guest
Logged
Sem dúvida, mas os mesmos cuidados são tomados nas marcenarias, o corte de um braço é o mesmo de um pé de mesa, todos estes fatores contribuem para a estabilidade da madeira. Ninguém em sã consciência usaria madeiras com umidade acima de 10.. 12% de umidade, é pedir pra ter dor de cabeça.

Hoje em dia até mesmo instrumentos bem baratos apresentam estas características, mas não é porque eles são bonzinhos, é por que empena mesmo.

Finck

****
Handmaker
Posts: 1,726
Location: São Paulo, SP (Vila Prudente)
Logged
Com relação ao teor de umidade, a regra de "bem seca" nem sempre é válida, Eddie. Já li (confesso que não lembro onde) que o teor de umidade "ideal" depende de cada madeira. Há algumas espécies que com teores de umidade abaixo de um certo percentual se tornam excessivamente quebradiças. Eu não saberia dizer se este seria o caso de alguma madeira tipicamente usada em instrumentos. Mas acho que vale o registro...

Para piorar, a maneira como é feita a secagem afeta as fibras. Se for muito rápida, por exemplo, a peça empena durante a secagem. Aí a gente pensa "ah, mas vai ser trabalhada, então tudo certo". Ledo engano! Digamos que o cara use a peça seca na marra (e empenada no processo) para fazer, digamos, um braço. Num primeiro momento, tudo está perfeito.

Só que madeira é (muito) higroscópica! Mesmo protegida com verniz, com o passar do tempo ela vai absorver umidade (do ar, das mãos...) de maneira não uniforme, e irá se acomodar à nova situação, ainda mais estando submetida à tensões mecânicas (ou seja, vai voltar a empenar). Claro que o tensor resolve o problema do empenamento no sentido do eixo longitudinal, mas e as torções?

Uma vez eu cometi a estupidez de deixar uma prateleira de pinus, que havia molhado, exposta ao calor do sol. A peça não empenou quando foi molhada, mas quando esquentou com o sol, ela se torceu! Não só empenou, torceu!

Sobre o "corte de um pé de mesa ser o mesmo de um braço (de instrumento, imagino)", não entendi a comparação. As forças aplicadas às duas peças são substancialmente diferentes.
Se alguém ficou curioso, meu avatar é o brasão da família Finck. Dizem que os brasões das famílias alemãs estão relacionados com a profissão de seu patriarca. Se isso for verdade, o patriarca Finck deve ter sido bobo da corte...

bossman

Administrator
******
DIY Freak
Posts: 6,368
Logged
Ahhh a eterna discussão sem fim sobre os tipos de madeiras aplicados a instrumentos musicais!
Ding-Ling things, low-cost = low protection! Nothing is foolproof

felix

Guest
Logged
#26
O que eu sei, é que dependendo do tipo de cola, compensados e aglomerados podem ser mais "duros" que as madeiras mais comuns a instrumentos.
O mesmo vale para o papel.

Tentem essa experiência quando precisarem preencher algo:
Criar uma bucha de papel toalha e pingar superbonder(genérica, quanto mais "líquida" melhor) a vontade no papel. Quanto mais o papel absorver, mais resistente ficará o material.

O que se forma, é uma espécie de plástico ultrarresistente, ou um aglomerado rápido.  :D

Eu tinha uma havaianas aqui com o buraco central da fivela arrombado, então usei esse truque, uma vez que tudo que eu tentava colar soltava da borracha, esse enxerto já dura meses, mesmo molhando o chinelo quase todos os dias.

Se eu já tivesse essa "técnica" no passado, eu teria realizado trabalhos bem melhores nas modificações dos corpos dos meus instrumentos mais franksteins...  >d